Certa noite, quando vinha de trem para Engenho Novo encontrei um rapaz aqui do bairro. Ele começou a recitar-me versos e, como estava cansado, fechei os olhos umas três ou quatro vezes.
Ele interrompeu a leitura e colocou os versos no bolso. No dia seguinte, falou-me nomes feios e acabou dando-me o apelido de Dom Casmurro. Os vizinhos, que não gostavam do meu jeito quieto e solitário, também passaram a assim me chamar, tudo porque tive sono!
Casmurro veio por ser calado, e o Dom, por ironia apenas. Acabou que até meus amigos me chamavam de Dom Casmurro. Entretanto, não guardei rancor do garoto do trem.
